terça-feira, 8 de junho de 2010

Minimizando o Passado

Quando criança gostava de brincar sozinho, pondera tamanha criatividade, o cabelo sempre muito bem alinhado, manias crescentes e se achava possuidor de poderes sobrenaturais, gritava aos coleguinhas fitando o ceú: - Faça-se o vento. E um dia ventou de verdade, o que o fez crer ser realmente especial. Era uma criança que odiava a presença de adultos e quanto mais "criança" a criança perto dele, ele gostava... Gostava de manipular situações e mandar nas outras crianças, até que se ferissem, ou não. Nunca teve a fama de malcriado, pois sabia desde cedo armar as situações, às escondidas. Escondia as chaves quando não o levavam consigo, cortava as redes de balançar para ninguem mais brincar sem a presença dele, escondia cactos de vidros em areias, enterrava bonecas e derramava propositalmente copos de leite no chão, apenas pelo amor à bagunça. Pois bem, a criança cresceu, e descobriu que muitas das maldades que fazia inconscientemente, eram erradas, pediu perdão, e deve ter sido perdoado, hoje ele tenta acertar, apesar de às vezes não resistir a uma sacanagem qualquer. Tenta ser inteligente, e uma pessoa decente. A culpa de sua infância "trágica" nem foi totalmente culpa dele, sofria exclusões, bullying (-rs), e não se sentia acoplado à sociedade moderna, se fosse de outra época pra tras, talvez fosse pior, com certeza o seria. Aos 21, ele sabe, que tudo que necessitamos é um pouco de controle e de simpatia com os demais, para assim, as portas finalmente se abrirem, pois bem, até agora funcionou.

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