segunda-feira, 30 de maio de 2011

Estante



Na cama, deitados, você passava a mão em meus cabelos e parecíamos viajar em sonhos malucos, em verdades de ninguém, e em meio a conversas proibidas você me perguntava:
- Você Gosta de mim?
E então falei sem pensar:
- Gosto. - pensei e completei. - Às vezes!
Com um sorriso contente, você continuava a me acariciar, se sentindo confortável com a resposta.
Mas eu não te amava, era cômodo estar com você, mas não era amor, não tinha como um coração que você magoou voltar a ter os mesmos sentimentos de antes, me dava medo a sensação de não saber que horas você iria mudar de idéia e me colocar de novo na sua estante entre seus livros de Nietzsche, e que horas você iria se cansar de brincar comigo, não se é possível construir um sentimento por você porque afinal eu tinha ressentimentos, eu não posso continuar a me diminuir pra estar com você. Então meu caro, a resposta correta a sua pergunta seria sempre "Eu não gosto de você, porque afinal eu gosto de mim!".
Mas ainda assim espero termos nossa música.

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