terça-feira, 23 de outubro de 2012

Delirium

Delirium que me foi narrado por uma paciente:

"Eu estava em um ovo, e  estava aberto ovo, aberto por mãos de uma pessoa só, não houve instrumento, laser, não houve nada, só mãos, e de uma pessoa só, só eu sabia. E havia no ovo detalhes em furta-cor, era muito pouco, era discretíssimo ali dentro, porque o ovo era todo branco, muito branco por dentro, e os nacarados dele, eram assim, estratégicos, como se fossem colocados com uma composição bonita, eram pouquíssimos nacarados, com uma simplicidade, um MEDO do exagero. Quando eu olho e vejo o nacarado, eu começo a ouvir alguém me chamar - daqui a pouco -, só que pouco antes de alguém me chamar eu me enrosquei completamente, como se eu enroscasse e ninguém me visse, mas no final eu sou obrigada a acordar com alguém me chamando pra tomar banho, e aí Doutor eu saio facilmente do ovo, verificando que havia uma pilha imensa destes ovos, e meu ovo estava em uma parte intermediária para baixo. Como eu saí? Eu não sei, e não posso reclamar disso. Então desde aí não posso reclamar de meus deliriuns." (J.F)

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