segunda-feira, 17 de junho de 2013

Amor Primitivo



Eu nasci para amar, não para ser refém do amor alheio. Eu nunca dependi deste tipo de aprovação. Sempre sonhei com o amor verdadeiro, traçar sonhos juntos - a casa imensa de piso de mármore com crianças e meu amor na mesa de café. Em minha casa não há grades nas janelas, as chaves estão sempre nas fechaduras, todo mundo é livre pra entrar e sair, quando quiser. E assim como na minha casa, meu coração também é livre, amar não significar parar de ser você, há sim de renegar a certas coisas, mas tentar prender a quem se ama não é só cruel, é a maior violência à liberdade. Assassinar a auto-estima é um crime de pudor à vida, é cegar uma criança órfã. 
Talvez eu prefira a casa de chão de mármore vazia e eu ainda não tenha percebido isso; com as janelas bem abertas, de onde eu possa observar em segurança as pessoas lá fora. Talvez amar o outro seja difícil demais pra mim e eu não consiga compreender ainda. Abnegar é árduo. Amar é ser o outro, sem deixar de ser você. Você deve ser completo para você, é uma ousadia muito grande tentar ser cara-metade, um complemento. Amar é estar ao lado, e dentro ao mesmo tempo, sem cobranças, ou obstante a isso, da forma mais primitiva possível, nascerá grades de sombras na janela de suas casas. Não torne seu coração um cativeiro, torne-o um lar.